A cidade de Maputo acolheu um workshop de dois dias que reuniu Organizações de Base Comunitária (OCBs) com intervenções na área do HIV e Tuberculose, com o objectivo de promover a aprendizagem entre pares, a partilha de experiências e boas práticas, bem como fortalecer as capacidades organizacionais e técnicas das organizações comunitárias.

O encontro tinha como objetivo criar uma plataforma de aprendizagem e troca de experiências, facilitando a ligação entre as OCBs, centros de aprendizagem, plataformas de capacitação e redes institucionais relevantes. Estas conexões deverão contribuir para o desenvolvimento de organizações comunitárias mais fortes e capazes de implementar intervenções eficazes, sustentáveis e centradas nas pessoas.
Organizado pelo Projecto Catalisar, com o apoio técnico da Plataforma da Sociedade Civil para Saúde em Moçambique (PLASOC-M), o workshop contou com a participação de representantes de OCBs que desenvolvem intervenções comunitárias nas províncias de Maputo e Nampula.
Para Elisée Ndatimana, Director do Projecto Catalisar, o encontro representa uma oportunidade para as organizações aprenderem umas com as outras, partilharem experiências e identificarem soluções conjuntas para os desafios que enfrentam.
“A tónica dos debates passou necessariamente por explorar temas cruciais como gestão organizacional e financeira, mobilização de recursos, monitoria e prestação de serviços comunitários. Este processo participativo reforçará a confiança, a apropriação local e a capacidade das comunidades de influenciar e sustentar serviços que salvam vidas”, afirmou Ndatimana.

A Coordenadora de Programas na PLASOC-M e facilitadora do workshop, Eládia Madau De Almeida, destacou a importância do encontro ser realizado num contexto particularmente desafiante para as organizações comunitárias, marcado pela redução do financiamento externo destinado a projectos na área do HIV e da Tuberculose.
“É importante que as OCBs partilhem experiências e criem conexões com vista a buscar soluções de financiamento doméstico, incluindo através de consórcios, para reduzir a dependência dos financiamentos externos. As crises de financiamento podem comprometer a continuidade dos serviços e colocar em risco a vida das pessoas que beneficiamos”, afirmou Mandau.
Durante o workshop, o representante da Constituência de Pessoas Vivendo com HIV Ezequias Maimasse, AMOVAPSA, partilhou a experiência da organização perante os impactos da redução do financiamento e os desafios para assegurar a continuidade da assistência às pessoas que dela necessitam.

“Reduzimos drasticamente as intervenções comunitárias devido às dificuldades orçamentais. Perante esta situação, continuamos a apelar ao envolvimento dos activistas, mesmo com a falta de recursos para cobrir despesas diárias, como o transporte. Tivemos de nos reinventar para garantir a continuidade da resposta comunitária de forma conjunta”, explicou.
Sobre o Projecto Catalisar
O Projecto Catalisar é uma iniciativa de cinco anos, financiada pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e implementada pela ADPP Moçambique, em parceria com cinco Organizações de Base Comunitária sub-beneficiárias: AMOLETU, Hooty Moçambique, Okhaphelela, Ovarelelana e UNDE.
O projecto opera em oito distritos da província de Nampula: Nampula, Rapale, Nacala Porto, Nacala-a-Velha, Mossuril, Ribáuè e Ilha de Moçambique.
O principal objectivo do Catalisar é aumentar a disponibilidade, cobertura, aceitabilidade e qualidade dos serviços de HIV, Tuberculose (TB) e de saúde relacionada, através de abordagens inovadoras e lideradas pelas comunidades, que permitam identificar e ultrapassar as barreiras que dificultam o acesso das pessoas vivendo com HIV e afectadas pela TB aos cuidados de saúde, assim como os serviços de prevenção.
As intervenções do Projecto Catalisar contribuem directamente para os Objectivos 2 e 3 do Plano Estratégico Nacional de Resposta ao HIV e SIDA (PEN V), que reconhecem a importância da participação comunitária na melhoria da qualidade e utilização dos serviços de saúde.