Zalisto Lima é um jovem com apenas o nível médio de escolaridade, que se tornou uma referência na sua comunidadecom o seu excelente trabalho como facilitador da turma do Clube do Ensino Acelerado, criado pelo projecto EmpowerED, financiado pela Save the Children, na Escola Primária de Natiri, no distrito de Angoche.

“Adquiri experiência através das capacitações promovidas pelo projecto, que hoje me permitem desempenhar o papel de facilitador em Natiri. Aqui, para além de ensinar os meus alunos, também aprendo com eles e desenvolvo competências essenciais para um professor, como saber lidar com diferentes personalidades e transformar os desafios do dia-a-dia em oportunidades de crescimento profissional.
Actualmente, planifico as minhas aulas, ensino e apoio os alunos na produção de material didáctico ecológico, utilizando recursos disponíveis localmente. Aplico também técnicas de ensino centradas na criança, adequadas a uma turma heterogénea, composta por alunos com diferentes níveis de competências. Neste processo, conto com o apoio do conselho de escola, da direcção da escola e dos supervisores do projecto. Por isso, nunca me senti sozinho nesta caminhada.
Apesar dos vários desafios, é muito gratificante trabalhar com alunos que apresentam diferentes níveis de competências, pois esta realidade exige maior dedicação da nossa parte, enquanto facilitadores, para proporcionar um ensino adaptado às necessidades de cada um e dar atenção individualizada a cada aluno, de modo a melhorar o seu nível de aprendizagem.
Dedico-me ao ensino com paixão, porque tenho consciência de que, ao alfabetizar as crianças e contribuir para a sua reintegração no ensino formal, estou também a contribuir para o desenvolvimento da minha comunidade e do meu país. Acredito que a falta de acesso à educação limita as oportunidades das pessoas e pode perpetuar o ciclo da pobreza. Quem não tem acesso à educação enfrenta maiores dificuldades para aproveitar as oportunidades que surgem em todos os sectores.
Com a criação do Clube do Ensino Acelerado, já é possível observar mudanças na adesão às aulas. Anteriormente, alguns jovens abandonavam a escola ao completarem 17 anos para se dedicarem a actividades geradoras de rendimento. Actualmente, há uma maior consciência de que é possível conciliar os estudos com o trabalho.
Manter os alunos envolvidos no processo de aprendizagem continua a ser um desafio. Por isso, tenho-me dedicado a procurar os alunos faltosos, com o objectivo de compreender as razões das suas ausências e ajudá-los a reconhecer a importância da escola na vida de qualquer criança ou jovem. Procuro também sensibilizar os pais para que apoiem os seus filhos na continuidade dos estudos.
Orgulho-me dos resultados alcançados através do meu trabalho. Um dos mais marcantes foi ter conseguido encaminhar 30 alunos da minha primeira turma, em 2025, para a reintegração no ensino formal. Este resultado motiva-me a continuar a trabalhar para que mais crianças e jovens tenham a oportunidade de aprender, prosseguir os seus estudos e construir um futuro melhor.”