Chamo-me Nolita Serrano, tenho 29 anos e sou professora há oito anos.
Antes de me tornar professora, já conhecia os desafios que a educação enfrentava na minha comunidade e, porque sempre tive uma grande paixão por ensinar crianças aceitei esta realidade com a convicção de que podia fazer a diferença.

Lecionar em Namaquita Velha era um enorme desafio. Sempre que havia ventos fortes ou chuvas intensas, as aulas eram interrompidas, por vezes durante longos períodos. A falta de salas de aula e as precárias condições das existentes impediam que o processo de ensino e aprendizagem decorresse normalmente. Esta realidade contrastava com a enorme vontade que os nossos alunos tinham de aprender. O entusiasmo das crianças era muito maior do que as condições que lhes podíamos oferecer.
Apesar destas dificuldades, nunca desisti. Sempre acreditei que a educação tinha o poder de transformar a nossa comunidade.
Essa esperança ganhou um novo impulso com a chegada do projecto Fortalecimento da Resiliência e Bem-Estar dos Professores em Contexto de Crises. O que mais me impressionou foi que o projecto não trouxe apenas soluções materiais; promoveu uma verdadeira mudança de mentalidade, incentivando a cooperação entre professores, alunos, famílias e toda a comunidade. Sensibilizou-nos para a importância de trabalharmos juntos em prol de um objectivo comum: garantir uma educação segura e de qualidade para todas as crianças.
Participei em várias formações, onde adquiri conhecimentos sobre inclusão social, equidade de género, mapeamento de zonas de risco, sistemas de alerta precoce, resiliência, apoio psicossocial e elaboração de planos de emergência. Além disso, foram criados e capacitados os Comités de Gestão do Risco de Desastres, tornando a nossa escola mais preparada para enfrentar situações de emergência.
Pouco tempo depois, começámos a testemunhar os resultados. A comunidade aproximou-se da escola como nunca antes. Homens, mulheres e jovens uniram esforços para produzir blocos, cortar madeira, transportar materiais e construir salas de aula resilientes e habitações para os professores.
Ao trabalharmos lado a lado, percebemos que não estávamos apenas a erguer edifícios. Estávamos a construir esperança e um futuro melhor para as nossas crianças.
Os resultados foram visíveis quase de imediato. Os alunos regressaram às aulas mais motivados, as interrupções causadas pelas condições climáticas reduziram-se significativamente e deixaram de se registar desistências relacionadas com a falta de condições para aprender.
Esta experiência ensinou-me que as maiores transformações acontecem quando a comunidade acredita num objectivo comum e trabalha em conjunto para o alcançar. Hoje, olho para a nossa escola com orgulho. Cada bloco colocado, cada parede erguida e cada sala construída representam muito mais do que uma infraestrutura: representam a esperança de um futuro melhor para as nossas crianças e a certeza de que, unidos, somos capazes de superar qualquer desafio.