Em 2025, Elisa Julai foi diagnosticada com uma doença respiratória, a tuberculose (TB). No início, a notícia colheu-lhe de surpresa e não foi fácil lidar com a situação, sobretudo porque já tinha ouvido muitos rumores e preconceitos sobre pessoas com TB. Na sua comunidade e até no seio familiar, as pessoas com tuberculose são muitas vezes discriminadas.
“Depois de ser diagnosticada na Unidade Sanitária da Machava I, regressei a casa e informei a minha família sobre o meu estado de saúde. A reacção deles foi de medo e pânico. Alguns dias depois, começaram a tratar-me de forma diferente. Passei a sofrer discriminação dentro da minha própria casa, porque tinham receio de contrair a doença. Já não conviviam comigo da mesma forma e, eu sentia-me isolada e triste”.
“No dia 20 de março de 2026, a Campeã de TB Rosália Mateus visitou a minha casa. Ela apresentou-se e explicou o trabalho que realiza na comunidade através do Projecto ADPP OneImpact TB Eco Voice. Durante a conversa, falou-me sobre o aplicativo OneImpact e explicou que esta plataforma ajuda pessoas afetadas pela tuberculose a terem acesso à informação e a reportarem barreiras e violações de direitos humanos enfrentadas no acesso aos serviços de saúde e na comunidade, para que os casos possam ser acompanhados e resolvidos”.
“Depois da explicação, senti-me motivada e interessada em usar o aplicativo. Pedi imediatamente ajuda para instalar o OneImpact no meu telefone, e a campeã apoiou-me nesse processo. No mesmo dia, consegui reportar a discriminação que estava a sofrer por parte da minha família”.
“Com o apoio da campeã do projecto e do líder comunitário do meu bairro, foi organizado um encontro de sensibilização com a minha família. Durante a conversa, foram esclarecidos sobre a tuberculose, os direitos das pessoas afetadas pela doença e a importância do apoio familiar durante o tratamento. Três dias depois do encontro, a minha família reconheceu que estava a violar os meus direitos humanos devido ao preconceito e à falta de informação sobre a TB. Pediram desculpas e prometeram apoiar-me e cuidar de mim durante todo o tratamento”.
“Hoje, sinto-me feliz porque a minha situação mudou completamente. Já convivo normalmente com a minha família e a barreira de discriminação foi resolvida. Antes, eu sofria em silêncio e não sabia onde denunciar o problema. Agora, com o aplicativo OneImpact instalado no meu telefone, consigo procurar apoio sempre que necessário”.
“Para além de utilizar a plataforma para benefício próprio, também já ajudei 18 pessoas afectadas pela TB a reportarem barreiras que dificultam o diagnóstico, a continuidade do tratamento e problemas relacionados com a saúde mental causados pela doença e pela discriminação”.
“Actualmente, sou sobrevivente de TB, membro de um clube de sobreviventes e faço parte do movimento global da rede TBpeople no Projecto ADPP OneImpact TB Eco Voice. Com base na minha própria experiência, ajudo na mobilização e sensibilização comunitária, promovendo a literacia sobre a tuberculose e incentivando outros sobreviventes de TB a aderirem aos clubes de sobreviventes e ao movimento TBpeople”.