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A história de Alexandre José, graduado em Agro-pecuária pelo Colégio Politécnico de Maputo

Voc Sch Maputo Alexandre3Um homem de convicções

 

Voc Sch Maputo AlexandrePara quem perdeu os pais aos dois anos de idade, Alexandre José encontrou, aos 18 anos, um rumo na vida. Graduado em agro-pecuária pelo Colégio Politécnico de Maputo da ADPP, este jovem, calmo e pausado, trabalha há mais de um ano numa fazenda localizada perto de Chokwé, na província de Gaza, como chefe de máquinas agrícolas. E é nesta profissão que vê o seu futuro “sempre a aprender porque ainda agora comecei e os tractores e as alfaias não vão ser sempre iguais”, comenta.

Dois intensos anos vividos em regime de internato no Colégio Politécnico de Maputo da ADPP deram-lhe maturidade. “Eu nunca tinha chumbado um ano. Mas foi no Colégio que conheci o treinamento realmente muito exigente e que fez de mim um homem”, garante, com a tranquilidade de quem superou uma etapa formativa muito importante para a construção do seu futuro.

Além de português, matemática, inglês, história e química, entre as outras disciplinas tradicionais da aprendizagem do 8º ao 10º ano de escolaridade, Alexandre também aprendeu diariamente as matérias de “agricultura e pecuária”, “silvicultura”, “gestão de empresas e práticas produtivas”, “regadio”, “desenvolvimento do espaço rural” e, sobretudo, mais de uma centena de horas daquela que começou a ser a sua grande paixão: “mecânica agrícola”. “Eu sempre tive a paixão por máquinas, desmontar e ver como funcionam, arranjar quando não trabalham. Então com a ‘mecânica agrícola’ eu aprendi os conhecimentos para fazer bem o que só sabia fazer mal e por curiosidade”, ri-se, agora.

O Colégio Politécnico de Maputo moldou outros aspectos humanos de Alexandre. “Quando digo que me fiz homem no Colégio foi também por causa dos horários exigentes, do trabalho em equipa, da disciplina, das responsabilidades individuais que cada um tem na vida num internato (Alexandre era o responsável pela limpeza do dormitório masculino) e pela obrigatoriedade da planificação de todos os trabalhos e da apresentação de relatórios de tudo o que fazíamos. Isso eu não conhecia, não estava habituado e fez-me muita confusão no princípio, mas agora vejo quanto é útil na minha nova vida profissional”, recorda, como um daqueles marcos que não vai esquecer ao longo da vida.

Assim que se graduou, Alexandre conseguiu logo trabalho por indicação de um professor que lhe conhecia as qualidades.

Na fazenda, uma propriedade de grandes dimensões, com cerca de 50 hectares e muitas dezenas de trabalhadores, Alexandre cedo foi identificado como “o rapaz das máquinas”. Calmo como é não se deixou deslumbrar. Apesar das suas evidentes capacidades aprendidas no Colégio Politécnico de Maputo, continua a insistir no “trabalho em equipa. Tem de estar sempre a acontecer. Temos de ser uma família onde cada um sabe o que está a fazer para que tudo corra bem para todos”, diz, percebendo-se que, além do que aprendeu, Alexandre ganhou uma qualidade extra: é um homem de convicções.

Ainda sou muito novo – diz Alexandre – mas com o que ganho quero comprar uma terra onde hei-de construir a minha casa". E depois, sorrindo e falando baixinho, quase tímido, confidencia um sonho de infância: “Hei-de construir espaço lá para poder fazer uma banda de música com os meus amigos”.

 

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