Ensino bilingue cria bases para melhor aprender outras línguas - Herminia Caridade Manhiça

FFK Herminia3- Professora da Escola Primaria do Primeiro e Segundo grau de Chicoachana, Localidade de 3 de Fevereiro, distrito da Manhiça

Herminia Caridade Manhiça tem 35 anos de idade, é professora há 11 anos e gosta dfo que faz, razão pela qual nem a distância de 30 km que percorre para se deslocar da casa à escola logo nas primeiras horas da manhã, a faz desanimar.

Gosto do que faço e é gratificante vermos que o nosso esforço abnegado e o sacrifício de acordar com os galos nas primeiras horas do dia e sair de casa ainda escuro, é compensado no final do ano, obtendo um aproveitamento pedagógico positivo”, segreda-nos.

Professora da primeira classe acorda todos os dias 4h45 e sai da Vila sede da Manhiça antes das 5H30, de modo a iniciar as actividades lectivas as 6h30. Hermínia tem uma turma da primeira classe, com pouco mais de alunos. Aliás, conta-nos, nos +últimos anos vem trabalhando com esse universo de alunos e, apesar do seu número elevado, as suas turmas tem tido um aproveitamento que varia de 50 a 60 por cento, antes da introdução do ensino bilingue.

Estou convicta de que este ano vamos ultrapassar esse número, uma vez que, desde que introduzimos o ensino bilingue com o apoio do Programa de Alimentação Escolar, vejo uma grande interacção na sala de aulas, quer seja entre eles e entre elas e eu como professora. Isso é fruto da grande descontracção que eles sentem por puderem comunicar numa língua que é do seu domínio”, contou Hermínia.

De acordo com a nossa interlocutora, antes da introdução do ensino bilingue na sua escola, as crianças ficavam acanhadas, dado que, para quase todas, esta é a primeira oportunidade de aprenderem a língua portuguesa. Contudo, avança, apesar das inúmeras vantagens desta metodologia, nem tudo são mares de rosas.

Enfrentamos dificuldades iniciais porque alguns encarregados, ao saberem que os filhos aprendiam primeiro na sua própria língua, vinham reclamar dizendo que um dos objectivos pelos quais matricularam os filhos, é os verem a aprender a língua oficial, de modo a terem mais oportunidades e fugirem ao histórico familiar, prenhe de casos de tentativas frustradas de singrarem por não saberem falar a língua oficial”, argumentou ainda.

A nossa entrevistada explicou-nos que a escola tem feito um grande trabalho de sensibilização e tem convencido os encarregados, mostrando os resultados preliminares e eles acabam aceitando.

Olhando para os contornos deste desafio de tornar um número elevado de alunos hábeis na leitura e escrita, ela destacou a grande importância que os livros desempenham. “Os livros constituem uma grande valia para o processo de ensino e aprendizagem. Com eles damos exemplos visíveis do que falamos. Há alguns desafios na matemática porque existem algumas diferenças na pronunciação dos números e dos objectos correspondentes a esses mesmos números, mas não é algo incontornável”.

Finalizando, a professora Hermínia mostrou-se satisfeita com a evolução que o processo está a testemunhar, sendo um dos aspectos de maior realce a aparição de encarregados que os tem ido dizer que os filhos já lêem a bíblia, o que só prova que este ensino é eficaz.

Uma criança que sabe ler e escrever na sua língua, mais facilmente aprende outras línguas. Mas, essa não é a única vantagem: há algumas profissões que exigem o uso das línguas locais”, rematou.

Rostos - Educação