O desafio é por as crianças a lerem e escreverem - Olivia Machel, Gestora da componente de Literacia

FFK2 23062017aUma das grandes questões que a introdução dos lanches escolares levantou foi: Se as crianças faltam menos à escola do que antes, porquê não melhoram os índices de aproveitamento pedagógico? Uma das respostas foi a constatação de que as crianças iam a escola, mas não assimilavam as matérias ministradas devido, em parte, ao facto de não conhecerem a língua em que as matérias eram ministradas, no caso, a língua portuguesa.

Para colmatar essa lacuna despertada pelo maior número de alunos presentes e baixo aproveitamento, o FFK decidiu introduzir, na sua segunda fase 2016/2020, a componente de Literacia, com o objectivo de potenciar as crianças em habilidades de leitura e escrita nas línguas Xichangana e xironga em modalidade bilingue e em português, no ensino monolingue.

O nosso foco principal é termos o maior número de crianças que terminam a terceira classe a saberem ler e escrever”, aponta Olívia Machel, gestora desta componente de Literacia, que fundamenta dizendo que “está provado a nível internacional que a criança aprende melhor na língua que domina, razão pela qual decidimos avançar para o ensino bilingue com as línguas faladas localmente e monolingue, através da potenciação dos professores em diferentes metodologias pedagógicas para flexibilizar a aprendizagem, além, claro, da distribuição de materiais de reforço".

Os materiais são produzidos pelos grupos de Literacia em coordenação com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) e visam especificamente estes programas, mas não está vedado o seu uso noutros locais.

Trata-se de 12 títulos de Livros do aluno de Xichangana e Xironga, 12 livros de histórias em voz alta, três livrinhos descodificáveis, um manual do professor, cartões de letras e cartazes de conversações para o desenvolvimento de habilidades de ouvir e falar”, revela.

Contudo, não obstante a existência desses materiais, o ensino baseia-se na capacitação dos recursos humanos para leccionarem, razão pela qual foram já formados, numa primeira fase, 27 facilitadores em matéria de reforço de leitura e escrita, para apoiarem os professores nas escolas. Paralelamente foram formados 169 professores da primeira classe em metodologias de ensino bilingue centradas no aluno, mas também foram formados em cinco pilares, como base o método fónico. Ainda este ano serão formados cerca de cera de 800 professores.

Portanto, os capacitamos em Consciência fonémica, fonética, fluência, vocabulário e compreensão, sempre com o objectivo macro de pormos as crianças a saberem ler e escrever até a conclusão da terceira classe”, reiterou.

Com o ensino bilingue, espera-se abranger, até 2020, 80 mil alunos, dentre alunos da primeira, segunda e terceira classes. “A nossa vontade era de abranger todas as escolas envolvidas, mas isso não foi possível por diversas razões. Anualmente vamos introduzir mais 10.000 crianças na primeira classe e, a medida que estas forem avançando, vamos continuar a assisti-las até concluírem a terceira classe”.

Neste momento, este ensino abrange cerca 10.000 crianças distribuídas em 75 escolas dos quatro distritos abrangidos, nomeadamente Manhiça, Magude, Matututine e Moamba.

Olívia referenciou ainda a grande relação de cooperação e parceria com a Cambridge Education e o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação (INDE), instituições com as quais o projecto FFK tem cooperado e trocado experiências, das quais se destacam a elaboração de materiais e a adopção de novas metodologias. “A simbiose é positiva, sobretudo se olharmos para as experiências acumuladas entre todos”, concluiu.

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