ADPP é nossa esperança e nossa esteio - Etelvina Mahubo, mãe de uma criança beneficiária do FFK

FFK Etelvina2Saquina António é aluna da quarta classe na Escola Primária de Mungazine, no distrito de Matutuine, na Província de Maputo, mas mora no distrito da Katembe, na Cidade de Maputo, tendo que percorrer a pé cerca de 6 quilómetros diariamente para ir e voltar da escola. Saquina estuda no distrito vizinho dada a proximidade com a sua casa, uma vez que ela mora nos limites do seu distrito.

Estudar em Mungazine tem sido um enorme desafio para esta criança de onze anos, devido a distância, aliás, este factor, aliado à fraca alimentação, contribuíram para o atraso que Saquina regista na escola, segundo nos conta Etelvina Mahubo, mãe da Saquina.

Com o surgimento do Programa de Alimentação Escolar, um dos problemas que contribuía para a absentismo escolar da sua filha que era a falta de motivação e, por vezes, fome, foi eliminado. “Ela está atrasada porque chumbou em duas classes, porque chegava atrasada à escola e perdia algumas matérias e também porque não prestava a devida atenção ao que o professor ensinava. Isso deve ser reflexo da fome, mas não é porque eu não a dava comida em casa, mas porque ela tinha que comer muito cedo antes de sair ou no seu regresso da escola”.

Etelvina contou-nos que sai de casa todos os dias muito cedo para Maputo, onde compra produtos para revender no mercado local. É uma ginástica muito aturada e cansativa, dado que implica subir três meios de transporte, dentre os quais uma carinha de caixa aberta, um barco e um mini-autocarro, isso tanto na ida como na volta. Esta maratona, que a tira de casa muito cedo, não a tem permitido ter um controlo mais acirrado sobre o horário em que a filha sai de casa e se alimenta.

Já aconteceu eu chegar a casa e encontra-la a brincar e ela alegar que se atrasou e já não dava para ir a escola, mas agora as coisas mudaram. Como além das aulas faz parte de um clube na escola dela e participa nas hortas, ela passa muito tempo lá e ganhou o gosto pelos estudos, o que me deixa satisfeita”, conta.


A participação activa da Saquina na escola, deve-se , de acordo com a mãe, a este programa, que veio revolucionar a maneira como as crianças, pais e a própria direcção das escolas encaram as unidades de ensino. “Hoje não olhamos para a escola como um local onde as nossas crianças vão apenas estudar. A escola é hoje um braço activo das nossas comunidades. É lá onde tiramos água, os nossos filhos lancham, aprendem a fazer machambas e outras actividades complementares”.

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