Conheça o Rafael Chambal, um estudante da Cidadela das Crianças

Cidadela Rafael3Uma vida em construção

Cidadela Rafael1Em Janeiro de 2007, Rafael Chambal, hoje com 15 anos de idade, chegou à Cidadela das Crianças pela mão de um tio. “Assim que cheguei estranhei e comecei logo a chorar”, conta hoje, rindo-se, 7 anos passados, este interno da Cidadela que acabou a 7ª classe e que se prepara para ingressar no Colégio Politécnico de Maputo da ADPP.

Reparei logo naquele menino”, conta o director da Cidadela das Crianças, Américo Nhalungo. “Ele chegou tão tímido que não falava com ninguém e não participava em nenhuma actividade extra-curricular. Hoje, é das crianças mais activas e participativas que conheço”.

Rafael é, na realidade, exuberante na maneira como fala, mesmo quando conta a vida difícil que conheceu. Nascido em Mauelele, uma pequena aldeia “no mato”, do distrito de Gaza, morava com os pais, três irmãs e a avó. Ele conta o que se lembra desses tempos onde, a felicidade foi interrompida de súbito. “O meu pai trabalhava numa fábrica de blocos de tijolo e a minha mãe numa machamba. De repente o meu pai morreu e a minha mãe não tinha dinheiro suficiente para sustentar a família e só ficou com a minha irmã mais nova”.

Um tio de Rafael, irmão do pai, levou-o para viver com ele em Maputo mas um ano depois foi deixá-lo na Cidadela das Crianças. “O meu tio ficou os meus documentos e tiveram que me registar de novo”, com vontade de ultrapassar depressa essa parte da conversa.

O que ele recorda com mais energia são os 7 anos seguintes, passados a tirar boas notas e a coleccionar amigos como o Jordão, o Jacinto e o Josias, os seus companheiros mais chegados. Rafael destacou-se por outras aptidões, como o trabalho na cozinha onde já provou ser um ajudante com grandes competências: “gosto muito de fazer o caril!”, exclama, com um sorriso nos olhos brilhantes.

Rafael vai fazer a 8ª classe no Colégio Politécnico de Maputo da ADPP. “Quero fazer até à 10ª classe e o curso de mestre-de-obras e quando acabar o curso, trabalhar na construção porque já tenho prática lá na Cidadela e gosto muito". E vai narrando as suas experiências: "desde que estão a construir a estrada circular mesmo aqui à frente da Cidadela, tenho ajudado a transportar carrinhos de mão com areia e já me deixaram arranjar o chão de uma das casas de banho do nosso dormitório” conta, feliz pela vocação que parece ter descoberto.

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